Ontem acabei de ler “A tábua de Flandres”, de Arturo Pérez-Reverte, uma história construída à volta de um quadro que retrata uma partida de xadrez (mais pormenores neste link).
Não é propriamente o tipo de leitura que faça o meu género, e portanto devo esclarecer que não o comprei. Na verdade, este livro foi uma oferta de Natal do ano passado. Estava já na minha mesa de cabeceira há uns meses, portanto, e achei que finalmente estava na altura de pegar nele.
O que mais me interessou de início foi o facto de a história ser construída à volta de uma partida de xadrez. Sempre gostei de jogar este jogo, e sempre tive pena de não ter muitas pessoas à minha volta que partilhem esse gosto. Felizmente a era dos computadores está aí, e embora jogar com uma máquina não seja a mesma coisa que com uma pessoa, sempre me vai permitindo matar as saudades de vez em quando. Terei que investigar as possibilidades de jogar online através de clubes na internet.
Mas de volta ao livro: confesso que foi com algum alívio que cheguei ao fim (isto não pode ser bom…). Na verdade, apesar do jogo de xadrez, e de uma história com alguns lampejos de interesse, de um modo geral achei pouco cativante, com uma narrativa algo desligada e com falta de ritmo.
A tentativa de encontrar paralelos entre a partida de xadrez em questão e as personagens da história é um pouco decepcionante. Por outro lado, fica por decifrar o mistério em volta da pintura original: quem matou o cavaleiro? Claro que deduzimos que tenha sido a dama preta, mas porquê, ou que motivos teriam levado o artista a incluir uma mensagem oculta, numa obra pintada após os acontecimentos.
Percebe-se então que toda essa história serve apenas para enquadrar e ajudar a centrar a acção que decorre no presente. Mas convenhamos: descentrar a narrativa de um conjunto de acções e personagens que tiveram influência sobre a história da Europa, para a centrar numa pequena história envolvendo uma restauradora de obras de arte, uma galerista, um antiquário e um jogador de xadrez…O que é mais interessante?
Mas este livro sempre teve alguns efeitos positivos em mim: em primeiro lugar voltou a despertar a minha vontade de jogar xadrez, o que já não fazia certamente há alguns meses. Por outro lado, tenho que admitir que as descrições tão vívidas e pormenorizadas que o autor faz de alguns quadros me despertaram a curiosidade. Nunca fui muito de apreciar pinturas, mas de facto após esta leitura tenho vontade de ir passear a um museu de arte e voltar a olhar para as obras expostas, agora com um olhar diferente, mais atento a certo tipo de pormenores que de outra forma me escapariam.
E pronto, partimos para outro! E o livro que se segue é do Altino do Tojal, as “Histórias de Macau”.