Archive for Março, 2006

Longitude


Longitude - The true story of a lone genious who solved the greatest scientific problem of his time
Dava Sobel

Longitude é um pequeno livro/documentário que relata um problema científico que muito afligiu os navegadores do passado e que durante vários séculos ficou por resolver. Na verdade um problema tão simples (aparentemente) quanto saber exactamente onde estamos em dado momento.

Quando era míudo fartei-me de ler as BDs e histórias diversas que relatavam as viagens dos nossos navegadores históricos (ok, confesso que o Fernão de Magalhães sempre foi o que mais me impressionou). E era algo que me deixava sempre intrigado, como é que eles, no meio daquele mar imenso, sabiam onde estavam e para onde se dirigiam.

Pelos vistos não sabiam mesmo, e depois de ler este livrinho só tenho é que ficar admirado como é que não aconteciam mais acidentes/tragédias (e o livro refere várias delas).

Longitude descreve as várias abordagens que ao longo dos séculos foram sendo testadas e dos problemas com que se deparavam, até que finalmente se conseguiu resolver o problema, com a construção de um relógio que era capaz de manter as horas de uma forma fiável ao longo de um período alargado de tempo, e sujeito às condições adversas que se esperavam numa viagem pelo mar, atravessando diversos climas.

Assim, a medição da hora solar à hora que o relógio marcava, permitia determinar qual a distância relativamente e um determinado referencial, usando para o efeito um conjunto de cálculos matemáticos mais ou menos complexos.

E assim se resolveu um dos maiores problemas científicos daqueles tempos. O que torna esta história curiosa é o facto de o inventor deste relógio maravilha ser, ao contrário do que se poderia esperar (um cientista famoso?), um homem humilde, pouco instruído formalmente, mas extremamente engenhoso e criativo.

Uma boa leitura, que nos leva a pensar um pouco sobre a dificuldade dos nossos antepassados para obter informações que hoje nos estão tão facilmente acessíveis.

De cada vez que ao entrar no meu automóvel e ligar o GPS, que me diz exactamente onde estou, com uma margem de erros de meia dúzia de metros, actualizado ao segundo, vou lembrar-me de Cabral, Vasco da Gama, Magalhães,etc.

Collected Short Stories

The Collected Short Stories
Jeffrey Archer

Lá em casa, durante bastante tempo houve uma certa disputa familiar (saudável, obviamente): enquanto eu lia livros do Stephen King e o coroava como mestre do conto, a minha cara metade fazia o mesmo com as obras do Jeffrey Archer. De certo modo, esta “clubite” acabou por nos afastar mutuamente do outro autor.

Até que há cerca de 1 ano atrás, vi uma pequena notícia sobre a prisão do autor, que atraiu a minha atenção, dados os antecedentes, e algum tempo depois encontrei numa livraria o primeiro volume da colecção dos Diários da Prisão que ele escreveu enquanto esteve encarcerado. Gostei sobretudo da forma simples e cativante como o autor escreve, e isso despertou em mim alguma curiosidade em experimentar outros títulos dele.

“Short stories” é uma colectânea de contos que tinham sido previamente publicados em 3 outros títulos do mesmo autor (”12 Red Herrings”, “A Twist in the Tale” e “A quiver full of arrows”), aqui reunidos num só volume. O título ideal para a minha estreia de Jeffrey Archer?

Bem, 36 histórias curtas depois, devo dizer que, embora não tenha ficado maravilhado, gostei bastante da maioria dos contos aqui presentes. Com excepção das 2 ou 3 histórias relacionadas com cricket - um desporto muito british que eu ainda não consegui compreender, e muito menos apreciar - e apesar de algumas repetições de temas, dando a sensação de se tratar mais de ensaios tendo em vista algum produto final mais significativo, a generalidade dos contos é interessante e revelador do estilo simples, directo e apelativo do autor.

Gostei particularmente do último conto (”One man’s meat…”), em que um homem, vendo uma mulher espantosa a entrar num teatro, abandona o carro no primeiro buraco que encontra para ir atrás dela. O autor brinda-nos com vários fins para a história, cada um deles surpreendente à sua maneira. Também a história “The perfect murder”, sobre o assassínio de uma mulher, em que apenas na última linha nos apercebemos do final macabro, nos mostra a forma inteligente de contar uma história simples.

Destaco ainda mais 2: “Just good friends”, uma história contada na primeira pessoa sobre amor incondicional (apercebemo-nos no final que a protagista da história é afinal uma gata); e “Old Love” sobre um casal inseparável, até na morte.

Penso que no fundo a grande qualidade de Jeffrey Archer é conseguir transformar pequenas situações de relativa rotina ou sem grande importância, e transformá-las em pequenas histórias interessantes.