Recebi - certamente por engano - o seguinte SMS:
mor vou regar relva. Ligas a mim?
A mensagem chegou pelas 23:3o e fico a pensar quem seria o “mor” e o “mim”? E o que lhes terá acontecido por a mensagem não ter chegado ao seu destino intencional?
…e nisto, o melro veio direito ao ninho! Chegou lá, e viu tudo!
Recebi - certamente por engano - o seguinte SMS:
mor vou regar relva. Ligas a mim?
A mensagem chegou pelas 23:3o e fico a pensar quem seria o “mor” e o “mim”? E o que lhes terá acontecido por a mensagem não ter chegado ao seu destino intencional?
Hoje recebi o link para um pequeno teste à caligrafia. Simples curiosidade, mas depois de o preencher, pareceu-me encaixar bem em mim:
A inclinação de sua letra mostra que você parece ser uma pessoa equilibrada, educada. Mas é um pouco “fria” com quem acaba de conhecer. A ligação de sua letra revela raciocínio lógico, dinamismo, método e uma tendência à rotinas. A direção de sua letra indica controle, constância e organização, especialmente nas tarefas cotidianas. A pressão que usa ao escrever sinaliza estabilidade e equilíbrio. As áreas valorizadas na sua escrita destacam idealismo, erudição, preocupação com seu crescimento interior. A forma de sua letra demonstra sinceridade, capacidade de adaptação, espontaneidade; sensualidade.
O teste pode ser encontrado neste link.
Herman SIC
Promoção ao Festival Internacional de Papagaios de Alcochete 2006
Pois é, amigos, o Papagaio Desportivo levou uma pequena comitiva ao programa de televisão do Herman José, a propósito da promoção ao VI Festival Internacional de Papagaios de Alcochete, e eu tive a honra de ser um dos convidados.
Em condições muito difíceis lá fizemos a nossa tentativa de colocar papagaios no ar no meio de uma estrada entalada entre o estúdio e o muro de uma casa particular, com arame farpado e trinca de vidro no topo. Com o vento a afunilar por aquele “corredor da morte”, com rajadas súbitas a ameaçar levar tudo por ali fora, foi uma sorte apenas se ter partido uma vareta de um dos estáticos do GilPapapagaios!
Lá passámos 3 horas dentro do estúdio, a assistir, aplaudir e sorrir com o nosso melhor sorriso amarelo enquanto desfilaram as marchas de Lisboa, a Floribela, o Malhoa, o grupo de capoeira, a moqueca da Heloísa, e sei lá mais o quê…
No final lá se fez a divulgação do Festival. Não se pode dizer que tenha sido destrasoso, mas que podia ter sido muito melhor, lá isso podia. Notou-se sobretudo a superficialidade de tudo aquilo, a forma pouco preparada e desinteressante como o Herman tratou o assunto, e o quase desprezo a que votou os “pilotos de papagaios” (”ah..então eu sou um piloto de araras…” - público ri…) e as pessoas que ao longo dos anos têm feito um esforço muito significativo para fazer viver esta modalidade.
Para quem queira rever os quase 15 minutos do programa dedicados a Alcochete e ao seu festival de papagaios pode fazer o download neste link (right click - save as).

State of Fear
Michael Crichton
Se bem me lembro das minhas anteriores leituras, as minhas experiências com livros do Michael Crichton tinham sido sempre positivas. Primeiro, Timeline, um thriller high tech envolvendo viagens no tempo, misturando o passado com o futuro. Depois, Prey, outro thriller high tech sobre o desenvolvimento de tecnologias auto-adaptáveis. Daí que este State of Fear tivesse sido benvindo à minha mesa de cabeceira.
Chegando ao fim deste livro, fico com uma certa sensação de “falta de sabor”, de um certo vazio de história, como explicar melhor? O problema é este: parece que o autor quis fazer um livro em que coexiste a ficção (a história imaginada) e a mensagem ambientalista. Enquanto a mensagem sobre as questões ambientais passa (e muito bem), a história em si parece muito fraca e até algo previsível.
A história conta-se em meia dúzia de linhas: um filantropo pró-ambientalista chega à conclusão que as organizações ambientalistas que suporta são tudo menos pró-ambiente, e engendra um esquema para desmascarar essas organizações. Pelo meio percebem-se ligações a grupos extremistas cujas acções são pensadas para ajudar a transmitir ao público em geral a sensação de medo (o tal State of Fear) em que vivemos permanentemente. O grupo associado ao filantropo anda então a correr contra o tempo para parar essas acções terroristas.
Como é que uma história destas estica um livro até às 700 páginas (pelo menos na sua edição paperback)? Com muita palha pelo meio, claro…
A palha consiste em tentar demonstrar a histeria que se vive à volta das questões ambientais, e a falta de dados concretos que ajudem a suportar a teoria da catástrofe eminente que nos é passada diariamente por uma comunicação social ávida de drama, terror e miséria. Não é por acaso que uma das citações mais comuns ao longo do livro seja a Bjorn Lomborg, o tal do Skeptical Environmentalist.
É, em suma, um livro com uma profunda mensagem política, aproveitando-se de uma historieta ficcionada, desenhada para nos fazer sentir até que extremo as coisas podem ir, com a opinião pública a ser totalmente manipulada em nome de interesses mais ou menos obscuros - ou seja, uma variante moderna da Teoria da Conspiração.
Serviço Público?!?
Estão a matar o futebol aos poucos…
Isto a propósito do Mundial que está a decorrer na Alemanha, e da transmissão em exclusivo pela Sport TV dos jogos que não envolvem a selecção portuguesa (e mais 2 ou 3 envolvendo o Brasil…).
Diz o nº2 do Artigo 28º da Lei da Televisão (artigo que versa sobre Direitos Exclusivos):
Em caso de aquisição, por operadores de televisão que emitam em regime de acesso condicionado ou sem cobertura nacional, de direitos exclusivos para a transmissão, integral ou parcial, directa ou em diferido, de outros acontecimentos que sejam objecto de interesse generalizado do público, os titulares dos direitos televisivos ficam obrigados a facultar, em termos não discriminatórios e de acordo com as condições normais do mercado, o seu acesso a outro ou outros operadores interessados na transmissão que emitam por via hertziana terrestre com cobertura nacional e acesso não condicionado.
Será que um Mundial de futebol não é um acontecimento de interesse generalizado do público? Parece-me que a cobertura que os 3 canais de televisão portugueses têm dedicado ao tema é mais do que suficiente como forma de demonstrar que efectivamente se trata de um evento inequivocamente de interesse público.
Não é pelos vistos a opinião dos legisladores desta nossa santa terrinha.
Visto que a Lei Geral foi escrita de forma que é possível a partes com interesses diversos, e geralmente divergentes, fazer cada qual a sua interpretação, o senhor Ministro dos Assuntos Parlamentares, de seu nome Augusto Santos Silva, após consulta à Alta Autoridade para a Comunicação Social, publicou no final do ano de 2005 um Despacho (o 22-620-A/2005) que define quais os acontecimentos de interesse público no ano de 2006. A saber:
- jogos oficiais da Selecção A
- jogos oficiais dos sub-21 no play-off e fase final do euro da categoria
- jogo de abertura, quartos de final, meias finais e final do Mundial
- final da Taça de Portugal
- um jogo por jornada do campeonato nacional da 1º divisão
- um jogo por eliminatória da Taça Uefa a partir dos quartos final
- finais das competições europeias
Além destes eventos futebolísticos, temos ainda a Volta a Portugal em bicicleta, campeonatos do mundo e europeus de atletismo (mas apenas as provas em que participem atletas portugueses) e jogos das fases finais de provas europeias ou mundiais em que participem as selecções nacionais de outras modalidades.
Perante isto, acho que é legítimo perguntar-nos qual é afinal o alcance da expressão interesse público generalizado? É que a mim parece-me que o senhor ministro anda meio confundido, e trocou as palavras público por privado. O interesse de todos nós foi colocado de lado perante o(s) interesse(s) - certamente mais importantes - dos accionistas da Sport TV.
Ora calha bem que a Sport TV venha à baila. É que para poder ver os jogos do Mundial, aderindo à Sport TV, teria que assinar um contrato de fidelização de 12 meses!!! Parece que afinal o Mundial de TV deixou de ser um evento de interesse público e passou a ser um evento de angariação de clientes do canal de televisão.
Para a bandalheira ser completa - e para se demonstrar como é possível gozar connosco e ficar a rir durante todo o mês que dura o Mundial - diz o mesmo despacho na sua introdução que:
artigo 28.º da Lei da Televisão visa salvaguardar o acesso televisivo da generalidade da população a acontecimentos de maior relevo social.
Já estão a ver onde é que isto vai parar, não é?. Continua assim:
Na medida em que a aquisição de direitos exclusivos de transmissão por operadores de televisão que emitem em regime de acesso condicionado pode, quando incida sobre tais eventos, inviabilizar esse objectivo, entendeu o legislador estabelecer a obrigatoriedade da sua cedência a quaisquer operadores televisivos que emitem em aberto (…)
Diz-se depois que por causa disso é necessário que o Governo identifique anualmente os tais eventos,
de modo a respeitar as expectativas dos operadores envolvidos.
Acho que com isto fica tudo dito! É o chamado roubo legal.
Talvez daqui a uns anos o futebol deixe de ser este espectáculo grandioso que hoje nos cola à TV (ou melhor dizendo, que até aqui há uns anos atrás nos colava à TV, visto que nem todos nós somos assinantes desse canal de interesse público que é a Sport TV). Talvez nessa altura se interroguem, políticos e empresários, o que se passou entretanto para que o futebol tivesse deixado de ter o interesse e o apoio entusiástico de que hoje beneficia.
Por mim devo dizer que vou continuar acordado até às tantas da manhã, à espera que os comentadores e analistas e árbitros e ex-árbitros debitem o seu latim, para finalmente poder ver os resumos alargados dos jogos, e no dia seguinte vou então trabalhar, com olheiras até aos lábios, fresco que nem uma alface no final de uma etapa da volta a Portugal na cabeça de um qualquer ciclista.
Pergunto-me apenas como conseguirei ser produtivo e dessa forma contribuir para a recuperação deste país durante este longo mês?